Satsang com Sri Prem Baba, 25.01.11 - Índia 2010/2011

Satsang, 25.01.11 - Índia 2010/2011

Temas: Conservação da Natureza / Sustentabilidade / Consciência de que tudo que está fora está dentro.
Video no Youtube
(Teatro apresentado pelas crianças do sangha tratando da destruição do planeta)
É muito profundo o que essas crianças estão trazendo.
Esta peça de teatro trata de alguns assuntos muito sérios na atual fase de desenvolvimento da nossa humanidade. Talvez tomando como ponto central a questão da sustentabilidade e a tomada de consciência do que nós estamos fazendo com o nosso planeta. Estando com a visão encoberta pelo véu da ilusão, acreditando estarmos separados do todo e, portanto, desconectados da realidade espiritual, somos tomados pela ignorância e acabamos criando uma situação insustentável. A inversão de valores onde tomamos o real como irreal e vice versa e que faz com que estejamos obcecados pelo sucesso (acreditando que o ele está no acúmulo de dinheiro e bens materiais) acabou gerando uma situação realmente muito difícil de reverter. Estamos trabalhando para que haja uma mudança nesse paradigma, mas ainda é muito pouco. Todas as iniciativas que estão acontecendo no mundo inteiro já significam muito se compararmos com o grau de ignorância que estávamos há alguns anos atrás. Mas, ainda falta muito.
A destruição das nossas florestas, dos nossos mares e rios, da nossa flora e fauna é uma questão muito delicada. Um satsang é muito pouco para abordá-la com profundidade.
Por exemplo, o que fazer com o lixo que produzimos é uma questão muito séria.
Nós estamos trabalhando com a compreensão de que não há diferença entre o que está dentro e o que está fora. Eu estou transmitindo essa consciência para você. Esse é um trabalho profundo e básico. É você compreender que essa maldade, essa estupidez, está dentro de você; que você é cocriador de tudo que acontece lá fora. Na medida em que se transforma você tem chance de transformar o mundo ao seu redor.
Estamos rezando e orando para Maha Maya, a mãe da criação, para que ela possa reverter esse jogo e retirar o véu que encobre a nossa percepção da realidade. Mas, ainda é muito pouco. Além das orações e do trabalho interno, nós precisamos de atitudes; precisamos de ações concretas.
Nós estamos criando alguns projetos que tem o objetivo de trazer alternativas para chegarmos ao nível de lixo zero. E estamos tentando fazer com que o governo brasileiro adote esses projetos mas que são ainda somente sementes. Outra semente é o projeto de educação infantil, partindo do princípio que essas crianças que estão chegando tem muito para nos ensinar. E para que isso de fato aconteça, nós precisamos dar espaço para que a sabedoria delas acorde, o que é um grande desafio para os pais e educadores que estão ainda presos no paradigma anterior, no velho mundo, com seus sistemas carregados de medo e ódio, precisando controlar, dominar e impor o seu poder sobre a criança. É muito difícil colocar limite através de uma consciência amorosa se ela não existe. Se você não está podendo enxergar a luz na criança, como você vai dar força para essa luz crescer? Esses são desafios que temos que enfrentar durante essa transição. Uma das alternativas que precisamos aterrizar nesse modelo de educação novo é fazer com que as crianças se voltem para a natureza porque ela é a casa de Deus e nós não podemos destruir a casa de Deus. Mas, essa é uma questão muito delicada porque, para a Terra ser realmente sustentável, nós deveríamos ter um sexto da população de hoje. Estamos excedendo seis vezes mais o número de pessoas que poderiam estar no mundo. Digo isso com base em pesquisas que cientistas trouxeram para mim. Eu compreendo que isso faz parte do jogo. Mas, quando eu pergunto “quem é você?”, “quem ocupa esse corpo?”, eu estou perguntando o que você está fazendo aqui, encarnando nessa era? Porque você escolheu encarnar na Terra nesse momento? Independentemente das determinações karmicas o fato é que você encarnou aqui nesse momento. Qual é a parte que lhe cabe nesse contexto?
Por isso eu tenho insistido no assunto de encontrar um propósito; descobrir os talentos e dons que você trouxe para o mundo. Com certeza os dons que você trouxe estão relacionados com esse jogo. Assim como Arjuna se viu impotente diante da batalha e Jonas que recusou a ouvir Deus, eu vejo muitos de vocês se recusando a assumir seus dons e talentos. Muitos estão se recusando a dividir os presentes que trouxeram para o mundo. Mas, os seus presentes são fundamentais para auxiliar a Mãe Divina a parir a verdade; para removermos esse véu de ilusão e ajudarmos na reconstrução do mundo. Por isso eu tenho insistido nesse ponto. Por isso estou pedindo para que você faça essas perguntas para si mesmo: onde estou? O que estou fazendo? Quem habita esse corpo? posso acrescentar ainda: A quem estou servindo? A que estou servindo? Estou sendo um canal do que?
Hoje vocês todos estão bem conscientes de que, se há magoas e ressentimentos no seu sistema você não consegue ser um canal do amor. Eu não estou querendo criar uma ansiedade em você, estou apenas te dando a direção. Estou cada vez mais te colocando no caminho da autotransformação, para que você possa direcionar a sua energia e a sua vontade disponível para se dedicar a esse processo de localizar dentro você o sabotador da felicidade e da alegria; esse eu que quer a desunião e a destruição. Que você possa identificar as raízes que dão sustentação a esse eu e possa se libertar dos sentimentos negados até que comece a se desidentificar desse eu e descondicionar a sua mente, se libertando e se afinando com os códigos divinos da confiança, da harmonia, da beleza, da construção; para você se tornar um canal da luz, de tudo que é bom, alegre e próspero.
Estou dando força para muitos projetos nessa área da sustentabilidade e tentando criar uma plataforma de comunicação entre as pessoas de todos os países para que possamos somar forças na realização desses projetos. Há diversas iniciativas acontecendo em vários países. E eu sinto que o tempo chegou para unirmos todas essas iniciativas em direção a mesma meta com ações concretas para promover a sustentabilidade e a nova educação e, ao mesmo tempo, nos dedicarmos a pratica da autotransformação e da devoção.
Ontem mesmo eu recebi uma inspiração sobre como colocar isso em pratica no dia a dia do ashram no Brasil. Há varias pessoas afinadas com esse propósito e muitos estão em condições de realizar esses projetos. Então, eu sinto que chegou a hora de fazermos alguma coisa.
Essa é a inspiração que veio para mim através dessa peça das crianças.
Esse é o aspecto social do meu trabalho. Lá no Brasil, nós criamos uma ONG que deve levar esse trabalho para o mundo. Ela se chama instituto Um Mundo Melhor. Aqui na Índia também estou sendo convidado para participar de uma ONG que visa preservar as florestas tanto na Amazônia quanto nos Himalayas. Isso com a ajuda de muitas sadhus, yoguis e santos, além do apoio de algumas fontes nos Estados Unidos. Temos também o apoio da ONU. Aos poucos vamos começar a dar mais sustentação, mais firmeza para esses projetos. Se você sentir essa inspiração, esse impulso de ajudar a mãe natureza, você poderá agregar valor a esses projetos com os seus talentos através da plataforma de comunicação através da internet que estamos construindo.
Esse é um assunto muito profundo. É por isso que o satsang fica diferente, porque não estou indo direto em você para tratar das suas questões pessoais. Embora essas questões também sejam pessoais, é algo que está além de você. Mas, não permita que essa idéia seja uma limitação justamente porque é somente uma idéia. Na verdade não há separação, está tudo interligado, mas talvez você ainda não tenha colocado foco nesse assunto.
Um dos aspectos que eu tenho dado força também é para a saúde. Temos trabalhado seriamente buscando uma medicina mais consciente e nos cuidados gerais com a saúde, principalmente levando em consideração a alimentação. É impressionante o número de doenças estranhas que estão surgindo. E independentemente da mudança vibracional que está acontecendo no planeta (que tem gerado sintomas como aqueles que descrevi em outros satsangs), muitas dessas doenças estão relacionadas com a alimentação incorreta que você faz por ignorância e porque os nossos alimentos estão sendo completamente adulterados. Por exemplo, os transgênicos, os pesticidas, herbicidas, entre outros venenos que são colocados na nossa comida e acabamos ingerindo sem saber. Também não sabemos o que isso pode gerar no nosso sistema porque ainda não temos consciência do resultado que isso pode causar já que é muito recente. Somente agora que nós estamos podendo perceber esses efeitos.
Por exemplo: É tão recente a descoberta de que o cigarro é um veneno. Porque até bem pouco tempo atrás ele era considerado uma das coisas mais maravilhosas do mundo. Esse é um pequeno exemplo. Até bem pouco tempo atrás não se tinha nenhuma consciência dos malefícios desses pesticidas e herbicidas, somente agora se começa a ter consciência de que isso pode fazer mal para a saúde. Mas, como desarmar uma estrutura como essa que alimenta uma psicopatia mundial? A doença do consumo, uma doença econômica, que esta na fundação da nossa sociedade. Há até mesmo corporações que criam doenças para vender remédios. Tudo em nome do acúmulo. No mais profundo está tudo baseado no medo da escassez. Por isso eu sempre repito que a mais importante transição é a do medo para a confiança. O dinheiro em si não é uma coisa negativa, mas o jeito que ele está sendo utilizado é negativo. E isso tem gerado esse cenário tão deprimente que já podemos ver.
Mas, esse assunto está chegando aqui hoje por um motivo que é você se lembrar do seu propósito nesse jogo. Qual é o seu papel nesse jogo?
Como eu disse não é um assunto que se esgota facilmente. Eu ainda estou ligado e trabalhando naquela questão de estarem construindo a terceira maior hidrelétrica do mundo no meio da Amazônia. Isso é uma flecha no meu coração.
“Eu quero, eu quero, eu quero...”. É isso que tem movimentado o ego humano. Preciso acumular, acumular, acumular... Eu não estou dizendo que o Brasil e o resto do mundo não precise de energia ou de combustível. Sim, o mundo precisa de energia, principalmente porque há uma população seis vezes maior do que o planeta pode sustentar. Mas, precisamos nos abrir para novas possibilidades que não destruam a natureza. Hoje já temos tecnologia para isso. O que precisamos é somente essa mudança interna de poder aceitar ganhar um pouco menos por algum tempo.
Pergunta: E se a nossa presidente assinar o acordo, o que poderemos fazer?
Rezar. Mas, eu sinto que não é o caso de pensarmos no que vai acontecer ou não. Não estou tentando criar uma discussão política porque isso não vai mudar nada. O que eu quero é que você encontre o eu que ainda quer essa destruição. Encontre essa parte de você que ainda está comprometida com a destruição da natureza. Eu quero que você descubra se tem uma parte de você que ainda está nesse antigo paradigma. Não para você sentir-se culpado, mas para você acordar e tomar uma atitude concreta dentro desse paradigma de sustentabilidade, considerando como seria possível viver em harmonia com a natureza. Fiquem com essa questão. Vamos encerrar a transmissão verbal e ficar com esse assunto reverberando por um tempo.
Eu quero dizer aqueles que estão voltando para casa hoje que a entrada na matrix sempre gera alguma turbulência, então, lembre-se de que estou com você. Eu estou indo com você. Eu sou o seu Ser interior.
Até o nosso próximo encontro.
NAMASTÊ
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