3 de mai de 2013

Satsang do Sri Prem Baba, 12.01.11 - Índia 2010/2011


Satsang, 12.01.11 - Índia 2010/2011

Temas: Como harmonizar-se com as leis da matéria / Prosperidade.
Pergunta: Querido Prem Baba, estou em dualidade. Sou professor de yoga e meus professores, nos ensinamentos, sempre deixam claro o desapego, mas vejo os cursos muito caros, o dinheiro sempre está em primeiro plano, com carros e celulares do ano. Eu fico em conflito porque não sei se cobro o valor do curso como no mercado, afinal também tenho contas para pagar, mas ao mesmo tempo me sinto culpado por achar esse dinheiro indevido, pois devo praticar o desapego. O que faço?
Prem Baba: Em relação aos seus professores eu nada posso dizer, mas como é possível renunciar algo que você não possui? Como é possível abrir mão de algo que você ainda não teve? Essa é uma questão importante a ser compreendia: você somente pode renunciar aquilo que tem. Só pode abrir mão daquilo que você já conquistou.
Quando eu me refiro a colocar Deus em primeiro lugar eu não estou lhe dizendo para negar a matéria. Eu não estou dizendo que você deve negar o dinheiro. O que eu estou dizendo é que o dinheiro é uma conseqüência da sua presença. Se você está inteiro no que está fazendo, se está a serviço do amor, se de fato está manifestando no mundo o propósito do seu coração, é natural que as suas necessidades sejam atendidas. Se você pode realmente se libertar do medo da pobreza dentro de você, não tem porque a pobreza te assombrar. Então, inevitavelmente você se harmoniza com as leis da prosperidade. A abundância lhe visita e ela se torna um instrumento do coração. Ela também está a serviço do propósito divino. E não mais a serviço de acumular para agregar valor a sua falsa idéia de eu. Ela não é mais um instrumento de poder sobre o outro.
Você só se harmoniza com as leis da prosperidade quando pode se libertar do medo da pobreza que faz você perseguir o dinheiro e colocá-lo em primeiro lugar, o que pode, durante uma fase da sua encarnação até fazer com que você acumule alguma coisa, mas não significa que a prosperidade lhe visitou. Porque ter coisas não significa ser próspero. O fato de você ter não significa que você se harmonizou com as leis da abundância. Você tem e está querendo ter cada vez mais para fugir do medo de ficar sem. Você ainda é uma vítima do medo da escassez. Então, o seu Deus é o dinheiro. Você quer ter para se sentir alguém, para se sentir pertencendo, incluído... Porque o dinheiro agrega valor a sua idéia de eu. “Se eu tenho, eu posso ter o que eu quiser. Posso ter as coisas maravilhosas do mundo”. Mas, existe uma lei que determina que todas as falsas construções, um dia, devem cair. Não importa o tamanho do império, um dia ele vai cair se não houver lastro no coração. A abundância e a prosperidade nascem da plenitude e a plenitude surge quando você se liberta do medo da pobreza e da escassez. Por mais que você tenha acumulado com base no seu medo, um dia você vai ter que perder tudo para poder encarar o seu medo de ser pobre até você deixá-lo e poder ser rico de verdade. Então, você compreende que essa vida não é um shopping Center. Você não vem aqui para comprar; para poder afirmar que é alguém com base no que acumulou.
É possível que a prosperidade e a abundância te visitem se você se libertou do medo da escassez e experienciou a plenitude, então, todo o tesouro do universo está a sua disposição, mas você não está apegado a nada porque sabe que não é seu. Está ali para você usar e servir ao propósito divino. Essa é a verdadeira riqueza e a grande sabedoria. Você usufruir das belezas do mundo, mas não ser escravo dele.
Há pouco tempo eu estava me deliciando com a história de Krishna e meu coração se encheu de admiração por ele. Porque é muito difícil ser um rei acordado. Ser um mendigo acordado é fácil porque você não tem nada. Mas, quando você tem tudo é mais difícil. Você tem tudo, mas não se apega a nada. Esse é um grande desafio. Você só pode se desapegar daquilo que tem.
Esse mesmo princípio se aplica aos aspectos psicoemocionais. Eu ouvi feedbacks muito bons em relação ao workshop sobre crenças que está sendo oferecido durante as tardes. Alguns estão felizes com a possibilidade de se libertarem de algumas crenças limitadoras. Porque você fica feliz com isso? Porque identificou e agora já pode abrir mão. Agora você identificou e reconhece. Como poder abrir mão do que ainda não reconhece e ainda não identificou? O mesmo nós falávamos sobre os relacionamentos afetivos. Falamos que é necessário experienciar a reciprocidade no relacionamento. Reciprocidade é a sustentação do êxtase. É quando os dois podem sustentar o coração aberto. Quando duas correntes de aquiescência se encontram; duas correntes de amor se encontram. É dizer sim quando o outro diz sim. Isso é abundância, é prosperidade. Essa prosperidade amorosa somente nasce da plenitude e a plenitude só surge quando você pode se libertar pelo medo de amar que se manifesta nas mais variadas maldades em relação ao outro; os mais variados jogos que te impedem de sustentar a alegria do encontro.
Como você se livra de um jogo destrutivo? O primeiro passo é reconhecer. Como você vai abrir mão de um jogo que ainda não identificou? Identificar é o primeiro passo. Por isso o autoconhecimento é o primeiro passo. Você tem que estar disposto a se conhecer; disposto a querer descobrir-se. Identificar todas as limitações e imperfeições para poder transformá-las e abrir mão delas.
Embora o eu consciente faça essa escolha de abrir mão de um padrão negativo, ainda assim é somente um sinal verde para que o Espírito Santo, a graça divina, se manifeste e realize o milagre da renúncia. O sinal verde quem dá é você enquanto Eu consciente. Você é que pede conscientemente por essa libertação. Você pede por essa conexão com o divino e só usa o livre arbítrio nessa direção quando identificou e pode compreender profundamente as suas limitações. Então, você pede conscientemente e escolhe fazer essa renúncia. Ela é o sinal verde. Isso significa que você está querendo comprometer-se com o seu Eu maior, com o seu Eu divino, com a verdade em si mesma. Esse sinal verde proporciona que a graça possa em algum momento trazer a renúncia. Porque a renúncia não é um fenômeno da mente. Eu posso passar a vida falando para você se desapegar, mas você ficará cada vez mais angustiado. Você sabe que não renuncia com a mente. Você não consegue desapegar através de uma vontade consciente. A renuncia é um fenômeno que se dá. O espírito da renúncia te pega e você larga tudo. Ao mesmo tempo pode estar tudo ai. Depende do seu jogo divino, do plano da sua alma. Alguns vão ficar pelados andando pelas margens do rio, passando cinza no corpo para se defender do frio e do calor. Outros vão morar em palácios. Está tudo certo. Quem pode dizer que está errado? Quem pode dizer que aquela renuncia é verdadeira ou falsa? Quem somos nós para julgar? Só quem sabe é a pessoa porque enquanto a renuncia não for verdadeira, ela é perseguida pela angústia. Assim é. Enquanto ela não se libertou do medo da escassez ela é vitima da ansiedade, da angustia, da depressão e todos esses sintomas.
Então, você me pergunta “o que eu faço”? Primeiro você tem que compreender porque você não quer cobrar as suas aulas de yoga. Primeiro você deve saber o que te move. Cobrar ou não cobrar não é o mais importante. O importante é saber quem está cobrando e quem não está cobrando e o motivo. Isso deve ser um ato consciente. Existe uma lei que determina que você só pode sair quando chega. É a mesma lei que diz que você só pode abrir mão do que tem. É necessário se harmonizar com a matéria para abrir mão dela. Isso também se aplica aos processos psicoespirituais. Eu estou aqui há alguns dias dizendo que você somente se liberta do passado quando se harmoniza com ele. Você diz: “Eu estou de bem com a vida, estou feliz”, mas está sentado em sacos de raiva que estouram a todo instante. Você está se enganando. Se o seu coração está cheio de mágoa e ressentimento, você não é livre. Você está se enganando. Isso significa que esse passado ainda está bem presente. Significa que você ainda está preso. A sua consciência ainda está condicionada às experiências do passado. Se você olha para trás e vê que o seu coração não está confortável; se você olha nos olhos da mamãe, nos olhos do papai, nos olhos de todas as pessoas da sua constelação familiar e ainda não pode dizer de verdade “muito obrigado”, você ainda não está livre. Quando você está livre do passado, ele não te persegue mais e você pode ancorar a presença plenamente.
O medo da escassez também é um aspecto do passado. Você tem que olhar para esse passado, para esse medo da pobreza até deixá-lo e se abrir para o que a vida tem para lhe dar. Somente então poderá abrir o baú do tesouro que a Mãe divina deixou para você. Você é herdeiro das glórias eternas. No mundo celestial não há falta de absolutamente nada. Você pode ser um saddhu que não tem nada no corpo, mas absolutamente nada lhe falta. O que ele precisa chega na hora, se for verdadeiro. Se for verdadeiro nada faltará para ele.
Então, precisamos nos harmonizar com essas leis da matéria também. Uma das leis da matéria é a lei do pagamento. Você precisa pagar as suas faturas e precisa aprender a receber o dinheiro que chega também. Essa é a lei da matéria. Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Se você vai cobrar um valor fixo ou vai se abrir para receber uma dakshina que é um valor livre, é decisão sua, mas a lei do pagamento precisa ser respeitada porque é uma lei. Se não respeita a lei você comete uma infração e o prejuízo é maior. Porque você não controla o karma. O mesmo se aplica ao processo de autodesenvolvimento. Para poder realmente acordar, você tem que pagar um preço. O preço não é material. O preço é nada de autocomiseração; nada de ter dó de si mesmo. Nenhuma piedade com o pequeno eu. Você tem que pagar com determinação e vontade sincera de poder realmente abrir mão das imperfeições. No mundo material você compreende isso. Se quer uma casa bonita, você paga o preço. Mas, no mundo espiritual você quer um palácio pelo preço de uma chopana. Você quer tudo, mas tudo de graça. Você quer se iluminar, mas não quer fazer nada. Não quer meditar nem um tantinho; não quer nem se encarar, mas quer se iluminar. Essas são leis que precisam ser respeitadas. São leis espirituais que se manifestam também na matéria.
Para completar eu vou fazer uso da memória para lembrar da minha vida passada quando eu também era um professor de yoga e que também não sabia cobrar os meus alunos. (risos) Algo muito parecido com você. Eu deixava uma caixinha de doações para as pessoas darem suas contribuições e todo o fim de mês eu tinha que pagar todas as contas porque ninguém deixava nada. Mas, eu ainda insisti durante um ano porque tinha medo de cobrar. Eu tinha sido muito programado pelo cristianismo que dizia que eu não poderia cobrar pelas graças de Deus. Mas, eu estava fazendo aquilo pela máscara não pelo Eu real. Eu não tinha graça para dar por isso nada acontecia. Hoje está todo mundo aqui e eu não cobro nada de vocês. Vocês me dão dakshina, cada um dá o que sente. Ou muitas vezes não me dá nada. Uns dão 10 outros 100 e tudo funciona. Eu tive que me libertar do medo da escassez; tive que encarar o bicho e olhar para as crenças limitadoras que determinavam que eu não podia cobrar porque não acreditava no meu valor. No mais profundo, eu achava que não valia. É claro que tem aquele que acha que vale mais do que vale. (risos) Na verdade não vale o que pesa, mas isso é outra história. A jornada é pessoal. Eu estou falando com você. Tem um grupo para facilitar a transmissão, mas eu estou falando para você. O processo é individual. Desde que as digitais não coincidam, cada um tem o seu processo, sua própria história. Na essência somos um só, mas fora da essência somos diferentes. Esse caminho tem que ser trilhado. É só assim que você aprende, quando você vai tomando consciência das suas subidas e descidas, dos seus erros e acertos. Está tudo certo. Tudo é material de escola do grande professor. Tudo é o grande professor te ensinando.  Ele está te ensinando a amar conscientemente, a ser próspero e verdadeiro. Assim é. Mesmo que esteja errado está tudo certo. Cada um está vivendo o que tem que viver e passando pelo que tem que passar.
Maharaj ji tem falado muito sobre isso ultimamente e manifestado até mesmo a sua insatisfação sobre o quanto as pessoas vão até ele querendo coisas materiais. Ele disse que está cansado. Noventa e nove por cento das pessoas estão querendo casa, família, filhos, só coisas materiais. Ninguém quer saber de Deus.
As pessoas querem pegar coisas; elas querem pegar a casa, o carro... Todos querem ser o donos daquilo que faz com que se sintam mais poderosos, justamente porque se sentem sem poder. Então você tem que tirar energia de algum lugar. Mas, Deus é quem te dá. Eu estou te ensinando o caminho. Para se harmonizar com as leis divinas, você tem que se harmonizar com o seu passado. É necessário integrar essas partes que estão separadas na sua personalidade. Cada aspecto da personalidade que você integra, cada pequeno eu integrado, é uma pequena morte que você vive. É assim que você vai perdendo o medo da morte. É assim que você descobre que é eterno.
Pois é, foi um belo discurso, mas eu ainda não contei a parte mais importante. A parte que talvez você não goste muito. Se você ainda tem medo da escassez, você a deseja. Se ainda tem medo da pobreza, mesmo sem saber, você a deseja. É uma lei psíquica. É o desejo que atrai a pobreza. Existe uma lei psíquica que diz que você atrai o que teme. Isso deve ser identificado. Enquanto não identificar, você vai criar situações para atrair o que teme até que possa de fato superar. A superação que eu falo é uma transformação de algo que você identificou e trabalhou para transformar. Você não pode dar a volta, não pode passar ao redor. Essa é outra lei. Você nunca passa ao redor das coisas. Você acha que engana a Deus, mas não engana.

“Mais um eu recebi
Chegou para declarar
Que a mim ninguém me engana
E ninguém queira se enganar”.
E que maravilha podermos estar no caminho da verdade. Que honra, nessa fase da jornada evolutiva, nós estarmos no barco da verdade. Porque o barco da verdade nunca afunda.
O processo de liberação vai acontecendo passo a passo. Você vai transformando camada após camada até que a última camada é transformada por acidente, acontece, mas até chegar lá é passo a passo. Não importa o quanto você já pode perdoar e compreender, se tem repetição negativa acontecendo na sua vida ainda tem uma camada de medo para purificar. Por menor que ela seja, ainda está lá. Eu te digo que, se tiver um por cento da sua consciência trancada em negação, esse um por cento te derruba. Porque ele está na sombra e você não percebe. Ele te dá uma rasteira e você nem vê. Você tem que continuar o seu processo até que ilumine todo o salão.
“Meu papai minha, minha mãezinha
Que me ensina a compaixão
Vem trazer a santa luz
Que ilumina o salão”.
Tratam-se de portais espirituais intergalácticos. O masculino e o feminimo; mamãe e papai.
Pergunta: Para você parar de atrair o que você tem medo, o que você precisa fazer?
Prem Baba: Encarar o medo e conhecê-lo. Olhar porque você teme. O que está por trás desse desejo? O medo e o desejo estão intimamente relacionados.
“O poder superior quando ensina sobre o amor
Vem trazendo no canto o mistério do beija-flor.
O mistério do beija-flor que destrincha toda a dor,
Diz não se apegue ao sofrimento que o tempo é do amor.
Quando vem a falsidade ou mesmo a ingratidão
Fica firme no teu mestre e revela o perdão.
Meu papai minha mãezinha que me ensina compaixão
Vem trazer a santa luz que ilumina o salão.
Meu papai minha mãezinha que brilha no coração
Vem trazer a santa luz que ilumina o salão.”
Quando você se harmoniza, você se libera. Conforme vai se libertando desse medo, você pode desejar a luz. Enquanto está atrelado ao medo, você deseja o prazer negativamente orientado. Você está preso ao ciclo vicioso do sadomasoquismo. Uma parte de você diz “eu quero me iluminar” e a outra parte está trancada em negação e só quer saber de brigar. Quando identifica essa parte você pode perdir de verdade.
“Um pedido agora eu faço
Para eu poder renascer
E acordar realizado
Bem juntinho do poder

Mãe divina e soberana
Vós que tem todo o poder
Ilumina a minha vida
Vou eterno agradecer”
Se o pedido for verdadeiro você recebe a resposta.
Olha a resposta:
“O caminho vou seguindo
Com firmeza e com amor
Me entregando a vontade
Do supremo cristo Eu sou.
Meus irmãos o tempo é este
De pulsar o puro amor
E o caminho do coração
É quem nos dá essa flor.
Me alinhando com a verdade
Daquilo que eu sou
Só posso é dizer contente
Eu sou o puro amor
O meu pai é maravilha
Minha mãe é um primor
Sou filho abençoado do mistério do amor
Vou cantar todas as glorias
Do império do amor
Auxiliando o meu irmão
Que ainda não enxergou.
Por aqui vou encerrando
Esse cântico do amor
A entrega eu faço a Deus
Ao cristo que eu sou”.
Mas, essa realização só foi possível por causa dessa frase: “O meu pai é maravilha; minha mãe é um primor; sou filho abençoado do mistério do amor”.
Por mais miséria que tenha acontecido na sua vida, um dia você vai ter que chegar nisso. Por mais que o seu pai tenha tentado te matar e sua mãe tenha te rejeitado, um dia você vai ter que chegar nesse perdão, nessa gratidão. Eu rezo para que isso aconteça.
Que você possa se harmonizar com as leis da prosperidade.
Até o nosso próximo encontro.
NAMASTE


TEXTO RETIRADO DO SITE: http://www.prembaba.org/