1 de mai de 2013

Satsang do Sri Prem Baba, 10.01.11 - Índia 2010/2011


Satsang, 10.01.11 - Índia 2010/2011

Temas: O papel do guru / Linhagem espiritual
Pergunta: Amado Prem Baba, eu gostaria que você falasse sobre o papel do guru. Quando eu era católica eu não gostava de falar com intermediários, eu falava direto com Deus. Por exemplo, não me confessava com o padre. Às vezes fico na dúvida, se devo pedir a sua ajuda ou direto para Deus. Mas, ao mesmo tempo me sinto muito perto de você.
Prem Baba: Um guru não é um sacerdote. Um Sat Guru completamente realizado é uma encarnação divina. Não há diferença entre Deus e o guru. Ele é uma manifestação da misericórdia divina, para facilitar o seu acesso à realidade espiritual, porque (pois) Deus imanifesto pode ser muito distante para você. Por isso ele se faz carne e habita na Terra. Para acordar a sua fé, para facilitar o seu processo de autorrealização. Mas, estando num corpo que está submetido às leis da matéria, inevitavelmente essa encarnação divina precisa se horizontalizar, para se locomover e realizar determinadas ações que são pertinentes a este mundo.
A perfeição divina visita o mundo imperfeito por misericórdia. A misericórdia divina permite que a perfeição venha num corpo imperfeito (imperfeito porque está conectado à matéria e por isso tem limitações). Estando atrelado à matéria, é impossível permanecer 24 horas por dia verticalizado, mas, de forma alguma isso interfere na manifestação divina.
Cada indivíduo deste plano vai se realizar com a graça divina em algum momento. E a comunhão com o divino se estabelecerá de uma maneira muito particular. Alguns podem estabelecer essa comunhão com Deus imanifesto. Outros estabelecerão a comunhão com um espírito que está na carne, porque essa manifestação promove a possibilidade do espelhamento e da autorrevelação, como num relacionamento humano, do qual você tem a memória do funcionamento e sabe como proceder.
Você começa a relação com o guru como se fosse um relacionamento humano até que vai percebendo a divindade nele. Aos poucos, você vai aprendendo a se relacionar com essa divindade encarnada e, vai tomando o cuidado de não interferir na transmissão que está vindo através dela para você, evitando impor suas idéias e pontos de vista.
O guru é como a água pura, que nunca impõe a sua cor e é receptivo, ou seja, sempre recebe tudo. Ele respeita o seu livre arbítrio, mas essa imposição pode atrasar o seu desenvolvimento. Aos poucos se aprende a simplesmente chegar perto do guru e receber dele o que ele tem para te oferecer. É preciso estar atento àquilo que você pede, compreendendo que ele está disposto a dar o que você pede. Esteja atento para saber, se o seu pedido vai realmente te ajudar a subir ou a descer. A melhor maneira é você se aproximar e deixar ele te dar.
Você percebe a santidade encarnada e trata com reverência, respeito e cuidado. No máximo, tocamos os pés dele, pois é por onde a energia está irradiando com abundância e, também porque o guru é muito sensível, como um beija-flor, e é completamente puro.
Um guru autêntico é um santo no sentido real da palavra. Ele está completamente desidentificado do mundo e livre de apegos. É preciso tomar cuidado para não levar as energias de apego, de competição, de disputa para o seu campo. Por isso a gente fica com o guru fisicamente por no máximo 10 minutos. Mais do que isso, somente se ele quiser que você fique. Fora isso não fique. Esse cuidado vai facilitar o seu desenvolvimento. Vai fazer com que você possa receber aquilo que está lhe sendo dado. Isso vai te ajudar a internalizar a benção.
Alguns nesse planeta se realizam sem um guru, mas são raros. Eu digo que, normalmente, a pessoa vai sozinha até o terceiro chakra. Do quarto em diante é muito difícil ir sozinho. Você se vê perdido numa floresta escura. É muito difícil andar sem um guia, mas não é impossível. É sabido de alguns que alcançaram, mas são bem poucos. E nos meus estudos, eu pude perceber que essas pessoas tiveram gurus nas suas vidas passadas e, nessa vida já estavam próximos da realização. Todos precisam de um guru.
O guru é parte de uma linhagem espiritual. A pessoa não se autointitula guru. Não é assim. Existe uma linhagem por trás do guru. É um poder e uma posição que é transmitida de mestre para discípulo. Há toda a linhagem confirmando a realização. Isso é para evitar os truques do ego; os truques da mente, pois eles são muito espertos. Para evitar esse prejuízo é que existe parampara, a tradição guru-discípulo. Um discípulo está ligado ao seu mestre, que está ligado a outro mestre, que está conectado com a fonte eterna, e, essa mesma fonte passa por todos, justamente para poder validar e confirmar a realização, evitando as armadilhas do ego.
Nessa linhagem na qual estamos conectados, a linhagem Sachcha (Sachcha significa verdade irrefutável, a verdade última, aquilo que é; o que sobra quando você remove todos os preconceitos e crenças, todo o conhecimento emprestado, quando você remove a mente o que fica é Sachcha), o guru está numa posição muito alta. Guru e Deus são uma coisa só.
O ser divino se manifesta no corpo do guru, por isso há toda essa reverência e respeito, o que é um grande desafio para a mente ocidental, onde as pessoas consideradas santas, normalmente são sacerdotes ainda não realizados. São pessoas muitas vezes sinceras na sua busca, na sua devoção e na sua entrega para a espiritualidade, mas não são pessoas realizadas em Deus. Ainda têm o ego e interferência da personalidade, ainda têm impurezas, maldades, desejos, apegos...
Nós também confundimos o guru com um professor de espiritualidade. Um professor é alguém que tem condição de servir, preparando o caminho para o mestre, mas ainda é uma pessoa que não está completamente purificada. Isso faz com que haja confusões a respeito do que é um guru.
Através de um guru autêntico, a graça jorra naturalmente, as bênçãos jorram espontaneamente. Então, como você sabe se esse guru é o seu guru? Se essa manifestação divina é sua porta de acesso para o plano celestial?
É o que você sente na presença dele. Se você pode ser tocado pela graça que está emanando dele, então fique por ali, porque ele tem algo para você. Se você ouviu que alguém se iluminou, vá até essa pessoa e sente perto. Se você sentir que a graça está fluindo; se você se sentir tocado; se você tiver convicção de que achou, então pare de procurar, fique perto e não distraia a sua mente com mais nada. Devagar você realiza a sua meta.
Esse guru vai iniciar o seu jogo com você. Ele vai começar a purificar as marcas do seu passado. Ele vai começar a realizar um jogo divino com você. Ele vai te dar coisas...vai te tirar coisas. Ele vai começar a mexer dentro de você. Tudo isso, com o objetivo de desenvolver a sua confiança e a confiança nele. Até que ele possa ir cortando o seu ego pouco a pouco; até que ele possa integrar o seu ego completamente e que você e ele sejam uma coisa só; até que você esteja completamente vazio, a ponto dele poder tocar a sua melodia através de você.
Aí você se percebe sendo a mesma melodia. É a mesma canção que está sendo tocada, mas você somente é canal dessa canção, quando você está completamente receptivo. É a única maneira de ser tocado pela graça.
O jogo do mestre é fazer você se esvaziar. É fazer a sua mente ficar completamente calma e serena, como um espelho limpo, que pode refletir a verdade divina. No começo vamos tirar a poeira do espelho. A poeira são as crenças, o conhecimento emprestado, as marcas que geraram os condicionamentos. Tudo isso precisa ser removido, até que você possa se tornar vazio como um bambu oco, no qual Deus coloca sua boca e toca sua melodia através de você. Você e Deus se tornam um. O discípulo se realiza e quando isso acontece, ele vai dar sustentação para a realização dos outros, porque ele se tornou mais uma luz acesa, que vai iluminar a escuridão.
Mas, não necessariamente esse ser iluminado é um guru iluminado. Porque o mestre iluminado é aquele que tem o talento de guiar os outros. Ele precisa ter o talento para te guiar e te levar para onde você pode chegar. Alguns seres iluminados ficam dando sustentação para o guru através do seu silencio. O guru é como uma árvore frutífera, então quanto mais frutos pode dar essa árvore, maior o campo de silêncio ao redor dele e, mais pessoas devem dar sustentação para esse campo.
Esse é um aspecto dessa relação guru-discípulo. Eu gosto muito da analogia do oásis no deserto. O guru é um oásis nesse deserto imenso. Um oásis que tem água pura. A única maneira de você saber, se essa água vai matar a sua sede é bebendo-a. A única maneira de saber, se o fogo vai te aquecer ou não, é se aproximando. Você não pode dizer que o fogo não pode te aquecer se estiver longe dele. Quer saber se o fogo esquenta? Chegue perto. É a única maneira.
O verdadeiro guru está pronto para te dar essa prova. Ele sabe que você precisa testá-lo. Ele aceita essa necessidade. Ele não vai de forma nenhuma te amar menos por causa disso. O amor dele é imutável, porque ele é o amor. O amor que não diminui, só aumenta. Quanto maior o campo de silêncio ao redor dele, mais o amor cresce. Ele não te ama porque você age de um jeito ou de outro; porque você faz isso ou aquilo para ele. Ele te ama porque ele é o amor. Eu te amo, porque eu sou o amor. Em algum momento você retorna para mim. Não importa quanto tempo, eu tenho a eternidade para te esperar. Todos os rios desembocam em mim. Eu sou um oceano de amor. Em algum momento seremos um. Não importa quantas vidas isso possa levar. Assim é. Essa é a verdade irrefutável, é Sachcha. O seu destino é se realizar em Deus; se realizar no amor.
Pergunta: Eu entendi que o discípulo se revela para o guru. O que ainda não é muito claro para mim, é até que ponto esse movimento tem que ser meu e, quando devemos estar apenas receptivos e não fazer nada.
Prem Baba: O meu trabalho é para que você possa me ouvir dentro de você. É para que você possa perceber que a minha voz é a voz do seu coração. Você deve seguir o seu coração. Tem momentos em que o seu coração está pedindo para você se revelar. No começo você ainda não sabe diferenciar, o que é o seu coração e o que é o seu ego carente, então você tem que arriscar. Eu sou a favor de você pecar pelo excesso do que pela falta, porque pelo menos você não sofre com a culpa de não ter feito.
As outras perguntas se referem basicamente a relacionamentos afetivos, que é o que te prepara para a relação com o mestre espiritual e com o divino. Mas, eu volto para essas perguntas depois. Depois, vamos falar sobre os relacionamentos humanos; sobre os desafios do relacionamento com outro ser humano; sobre o desafio que é se revelar para outro ser humano como você. O desafio que é acolher a revelação de outro ser humano; O desafio de sustentar o seu coração aberto para outro ser humano igual a você; O desafio que é você receber o amor de outro ser humano igual a você. É com o relacionamento com uma pessoa igual a você, que você aprende a se relacionar com Deus. São estágios do processo evolutivo. É como se o relacionamento com o guru fosse a universidade e, o relacionamento com outro ser humano fosse o ginásio. Muitos estão na universidade, mas não finalizaram o ginásio e ainda têm que fazer alguns exames. Nós vamos voltar a essas matérias amanhã. É necessário, porque caso contrário, não concluímos a universidade.
Tem coisas da relação guru-discípulo que só se compreende e se realiza, depois que você compreendeu algumas questões da relação humana. Assim é nesse planeta. É assim que funciona aqui.
Hoje tudo está mais calmo. Ontem uma onda intensa passou, mas hoje tudo está melhor.
Que o amor divino possa pulsar cada vez mais intensamente no seu coração.
Até o nosso próximo encontro.
NAMASTE

TEXTO RETIRADO DO SITE: http://www.prembaba.org/