Satsang com Sri Prem Baba, 05.01.11 - Índia 2010/2011


Satsang, 05.01.11 - Índia 2010/2011
Temas: Culpa, vergonha, autopunição, auto-ódio, repetições negativas, descondicionamento
Prem Baba: A maioria das perguntas é sobre o processo de descondicionamento da mente. Então, vamos falar mais sobre esse assunto.
Pergunta: Querido, Prem Baba eu sei que tenho dentro de mim muita culpa, mas o que você disse sobre culpa ontem, eu posso ver que é maior do que percebia. Por favor, fale mais sobre a culpa.
Prem Baba: Eu já falei sobre esse assunto várias vezes. Isso pode gerar a concepção errada de que você já compreendeu e, portanto você pode fechar uma porta dentro de você e não receber o que vou transmitir. Independentemente de quantas vezes você já ouviu sobre esse assunto, ouça como se fosse a primeira vez. Até porque podemos olhar para a mesma coisa sob diferentes ângulos.
O que chamou a sua atenção e fez você fazer essa pergunta foi porque eu disse que, se existe culpa dentro de você, existe autopunição, existe auto-ódio. E se você não tem consciência disso, você vai atrair situações e pessoas que vão te machucar. Eu trouxe um exemplo de que, se a autopunição não é consciente, você pode atrair pessoas que te rejeitam, maltratam e que acordam o seu sentimento de inferioridade. Isso é uma forma de se machucar. Esse auto-ódio pode se manifestar de diversas maneiras como na forma de doenças, de fracassos, na forma de infelicidade nas variadas áreas da vida. O auto-ódio se manifesta na forma de repetições negativas. É como se você fosse um ímã que atrai negatividade. Às vezes esse ódio é generalizado e às vezes se manifesta em áreas específicas da sua vida. Às vezes na vida afetiva, na vida sexual, na sua vida financeira ou profissional, às vezes no relacionamento com a família e muitas vezes na sua própria vida espiritual. Esse auto-ódio é um sabotador da felicidade e da realização. É um poder destrutivo. O que estou dizendo é que esse poder destrutivo que é sinônimo de auto-ódio e de autopunição nasce da culpa. É por isso que eu costumo dizer que a culpa é um veneno que mata lentamente. Mas, culpa do quê?
O que eu estou te dando até aqui é muito fácil de localizar porque o sintoma é bem visível. O sintoma são as situações que trazem sofrimento. É claro que uma situação ou outra pode ser causada pela lei de causa e efeito sem estar atrelado a uma marca específica no seu sistema. Mas, se a situação se repete constantemente, você está dizendo que tem auto-ódio. Isso quer dizer que você se odeia por algum motivo. O ódio é contra você mesmo. O ódio é a força que destrói. É o que impede a realização. Assim você tem uma pista. Se você tem atraído situações e mais situações que geram esses sintomas que estamos sinalizando, isso quer dizer que existe auto-ódio. Você está se punindo. Tem uma voz dentro de você dizendo que você não merece ser feliz. Ela está dizendo que essa história de felicidade não é para você. Prazer não é para você, dinheiro não é para você, saúde não é para você... Tem uma voz dizendo que você não merece. Quem está emitindo essa voz é a culpa. É ela que diz: “Eu mereço ser castigado”. Mas, por quê? É agora que a aventura se torna mais interessante. Nós temos que mergulhar dentro de nós mesmos para encontrar o porquê. De uma forma geral, é culpa por se considerar uma pessoa má. Um programa foi instalado no seu sistema e fez você acreditar que determinadas atitudes que você cometeu são maléficas. Daí nasce a culpa. Então é necessário realizar a auto-investigação.
Eu posso lhe dar algumas dicas: Você se sente envergonhado de algo na sua vida? Algo do seu passado? Tem alguma coisa do seu passado que você ainda esconde? Principalmente na sua infância. Você já me ouviu falar diversas vezes sobre o ciclo vicioso do amor imaturo que começa quando a criança não recebe o amor exclusivo que deseja, quando não é atendida na sua necessidade, ela sente ódio. Mas ela é ensinada desde cedo que é errado sentir ódio, ciúme e outros impulsos. Assim ela sente culpa por odiar quem ela ama. Essa é a primeira confusão, o primeiro paradoxo que surge na vida da entidade humana em evolução. Ela odeia quem mais ama e se sente culpada por isso e a culpa se manifesta dizendo: “Eu não mereço. Eu mereço ser castigado porque tem esse ódio dentro de mim”.
Essa é a semente e ela gerou diversos brotos. Por isso que eu sinto que a vergonha pode ser uma grande pista. Olhe para trás e veja do que você se envergonha (até hoje). Porque o auto-ódio somente vai agir porque você está identificado com esse passado. A sua mente ainda está fixada lá.
Continuando nessa linha, olhe profundamente dentro de você. Você tem vergonha da sua mãe? Alguma vergonha do seu pai? Tem alguma vergonha da sua família? Tem alguma coisa que você ainda não aceitou? Algo que faz você usar uma máscara, um disfarce para o outro, para o mundo. É justamente no disfarce que o auto-ódio te pega. Mas, enquanto você não se predispõe a olhar. Porque se você olhar, verá que uma grande mudança vai acontecer dentro de você. Eu tenho dito que você somente se liberta do passado quando se harmoniza com ele.
A mente condicionada é uma mente que age de determinada maneira para agradar. É uma mente estratégica. Ela está programada para agir com a intenção de seduzir, conquistar, agradar... Porque ela tem medo de repetir a dor de não ter sido amada no passado. Você teme entrar em contato com esse ponto de choque do qual se envergonha até hoje.
O sintoma ou as repetições negativas são superficiais (estão na superfície) e se você pode identificar é porque está no caminho. Por isso eu estou sempre te chamando para tomar consciência das suas insatisfações. Elas são uma ponta da história, mas é a parte mais superficial. É a porta. Atrás dela, há o auto-ódio, a autopunição. Existe uma intenção deliberada de se machucar e isso precisa ser identificado. Você apenas saber disso não adianta, mas identificar e sentir, vai te ajudar em algum lugar. Atrás do auto-ódio está a culpa e atrás da culpa está a vergonha. Se você encontrou a vergonha, você está próximo da fonte da repetição negativa.
Pergunta: Como você sabe se encontrou a raiz certa disso?
Quando você encontra a raiz e libera os sentimentos reprimidos e se harmoniza com o episódio, você aceita o que aconteceu como um presente para a sua evolução, imediatamente isso interrompe o ciclo vicioso. Você sente que a repetição negativa deixa de acontecer. Pode até acontecer de ser um ciclo vicioso muito arraigado, muito profundo e, mesmo tendo chegado à raiz e se harmonizado, o efeito ainda reverbera por algum tempo. Mas, é só uma questão de tempo, mas você tem essa certeza interna de que está tudo certo.  Você sabe quando chega. O seu coração se preenche de contentamento porque esvazia a teia de negatividade, esvazia o ódio. Você passa a amar inclusive. É uma mudança radical. Aquilo que está escuro se torna claro. Aquele sentimento de vazio e insuficiência é preenchido. Há um conforto e você pode até mesmo sentir no corpo.
Então, se existem padrões negativos se repetindo na sua vida, é sinal que existe auto-ódio. É ele que está gerando a repetição. A repetição é a própria autopunição. Se existe autopunição existe auto-ódio e se existe auto-ódio existe culpa.
Mas, eu te pergunto: culpa de quê? Olhe para trás e veja se existe algum conflito, alguma discórdia e alguma coisa no seu passado que você ainda não aceitou e que ainda precisa esconder e proteger para você e para o outro. Ai você está chegando a algum lugar. Isso é que te previne de ser espontâneo porque você não pode ser você mesmo porque o outro pode descobrir o seu segredo. Esse segredo que você tenta esconder. Qual é o seu segredo?
Pergunta: Você poderia falar sobre ligação da culpa com a sexualidade infantil?
Prem Baba: É uma das possíveis raízes. Numa sociedade em que a sexualidade foi completamente castrada e condenada, não é fácil. A criança sente culpa de ter desejo pelos pais. É fácil ela se sentir suja, se sentir errada, se sentir uma pessoa má por estar sentindo coisas que são proibidas. E muitas vezes isso é reforçado pelos pais que não sabem como lidar com isso.
Aonde quer que você esteja preso, é preciso voltar. Aonde sua mente está condicionada você tem que voltar para soltar. Voltar significa identificar, compreender, liberar o sentimento negado e se libertar da culpa, da vergonha e da autopunição. Mas, você somente se liberta do que enxerga e conhece.
Por isso que eu considero que o ABC da Espiritualidade seja fundamental.
Você está aqui, então você se aquieta e seu coração se abre mas sai lá fora e alguém fala que você é feia e você vai do céu para o inferno.  Você vai ao restaurante e a comida não chega na hora que você quer então você vai do céu para o inferno. É porque você projeta no outro o seu passado.
Compreenda que essa repetição também é uma manifestação da misericórdia porque é uma chance de descondicionar a mente. Você vai repetir inúmeras vezes até que possa realmente compreender o porquê da repetição e se libertar.
Mais uma vez: É o amor que é o grande regente desse jogo. Em algum momento você se desconectou dele, mas ele continua sendo o regente. As repetições estão te dando uma chance de se libertar. Um exemplo de repetição negativa é uma indecisão.
Pergunta: Eu percebo que tenho dificuldade de tomar decisões e esse padrão me leva a dúvida de receber diksha com você, mesmo já tendo sido inspirada para fazer. Como posso fazer para ser mais decidido?
Prem Baba: Eu estou lhe mostrando o caminho. Vamos trabalhar tanto na esfera da purificação, da forma que acabei de descrever, usando o método da auto-investigação e vamos trabalhar com a ativação da consciência maior, dando força para as virtudes que se manifestam. Então, se você recebeu essa inspiração, dê força para essa inspiração. Você deve se valer da inspiração para tomar uma atitude. Essa inspiração é o suficiente para te ajudar a tomar uma atitude. Essa atitude vai te ajudar a aumentar a sua vontade e o seu poder de decisão. Mesmo que em algum momento essa indecisão ainda não purificada, volte a agir. É assim que nós trabalhamos. Vamos trabalhando para ancorar a presença, fortalecendo as virtudes; Se você já compreendeu as vozes do eu inferior e já sabe de onde vem e porque vem,  você as ignora, mas se ainda não compreendeu, então trate de olhar. Faça o seu processo de auto-investigação. Mergulhe fundo utilizando o caminho que acabei de sugerir.
O processo de descondicionamento da mente começa com o autoconhecimento. Esse processo requer muita paciência, firmeza e determinação. Você tem que estar disposto a aceitar verdades bastante desagradáveis sobre você mesmo. Você precisa querer se olhar mais objetivamente. Então, meus amados amigos, firmeza para se enxergar.
Eu estou começando a me animar para trabalhar. (risos)
NAMASTE
Texto retirado do site: http://www.prembaba.org/pt-br/satsang/satsang-050111
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