Satsang com Sri Prem Baba, 02.01.11 - Índia 2010/2011

Satsang, 02.01.11 - Índia 2010/2011
Temas: Proposta de exercício para o dia / Totalidade na ação.
Prem Baba: Louvado sejam os seus esforços para a transformação de si mesmos. Louvada seja a sua dedicação para a superação das distorções acumuladas ao longo da aventura desse planeta. É uma grande aventura. É uma grande aventura encontrar a unidade na multiplicidade. Se perceber como uma conta de um colar. São tantas subidas e descidas, encontros e desencontros até estabilizarmos a percepção de que somos um. Somos como um colar, cada um é uma peçinha. Cada um é uma pérola nesse colar de pérolas.
Tanto sofrimento nesse planeta. Todo o sofrimento é causado pela busca da felicidade que se manifesta quando a percepção de que somos um se estabiliza. Essa percepção somente se dá quando você pode amar. É tudo que você quer: amar. Talvez você não saiba disso, talvez você esteja ainda envolvido pelo véu da ignorância que faz você acreditar que você quer receber. Essa é a distorção básica. Consciente ou não, aquilo que você mais quer é partilhar o seu tesouro, o seu ouro espiritual que é o amor puro que brota do seu coração. É ele que proporciona a experiência da unidade e que gera alegria sem causa que é o que cada filho dessa Terra quer sentir. Todos só querem sentir alegria. Mas, essa alegria só pulsa quando você pode amar a Terra e a todos os seus filhos. Esse amor é que dissolve a ilusão da separação. É esse amor que permite que possamos perceber-nos unidos e que o corpo é somente uma capa. As diferenças estão somente na superfície. Identificados com a superfície, nos acreditamos diferentes e, portanto, separados. Daí nasce todas as construções ilusórias. A partir dessa ilusão básica é que você vai se enredando na grande teia de ilusões. Daí nasce uma constelação de mentiras; daí nasce o egoísmo e todos os seus filhos: o ciúme, a inveja, todas as disputas e competições; todas as vaidades e os complexos de inferioridade e superioridade. Toda a grande teia de ilusão. Que é tudo mentira. Nada disso é você. E são tantas vidas desperdiçadas com essa mentira. Tanto tempo desperdiçado para tentar provar para o outro que você é uma mentira.
Temos nesse planeta já há um longo tempo escolhido o caminho mais difícil. Temos escolhido o caminho do sofrimento. Já faz muito tempo que é assim. A entidade precisa sofrer ao máximo para aceitar o que a vida está trazendo e deixar de se opor e brigar.
São impressionantes as armadilhas da ignorância. Chame a razão para perceber essa obviedade. Mesmo no aspecto distorcido, identificado com o seu ego ou com a sua mente e acreditando estar separado, tudo que você quer é receber amor, não? Tudo que você quer é ser reconhecido e receber atenção, não é mesmo? São distorções do desejo básico de ser amado. O que você quer é ser amado, não é? Mas, o outro também quer. Se você sabe que é isso que mais quer, porque você não dá isso para o outro de uma vez? Ele quer a mesma coisa. Assim você interrompe essa guerra. O nome para essa teia de ilusão é ignorância porque de fato é muito estúpido.
Eu quero te propor uma experiência. Pelo menos até amanhã, até o nosso próximo encontro: procure ver todas as pessoas que você cruza no caminho além da forma, independentemente do nível de ignorância em que elas estejam. Por mais que essa pessoa esteja tomada pelo mais absurdo egoísmo ou brutalidade. Não olhe para isso, olhe além, olhe o Ser que está por trás dessa nuvem. E, internamente você diz: Namastê. Você reverencia esse Ser que é o mesmo Ser que se manifesta através do seu corpo. Você reverencia o eterno Um; reverencia o amor eterno que se manifesta em todos. Experimente fazer isso também com as árvores e plantas; com os animais. Permita que a reverência exale através de cada poro do seu corpo. Permita que o respeito exale por cada poro do seu corpo. Quando vier algum raio de ignorância na sua direção, visualize-se transparente e deixe passar. Se vier alguma ofensa ou palavra que contenha uma semente de ódio, faça esse exercício de se visualizar-se transparente e deixe essa seta atravessar sem tocar você. Continue emanando reverência, respeito e amor para todos os seres. Internamente você canta: Prabhu ap jago, paramatma jago, mere sarve jago, sarvatra jago. Deus acorde, Deus acorde em todos e em todos os lugares.
Mas, para que essa experiência dê certo você precisa estar presente. Você precisa estar lembrando-se de si mesmo. Você tem que estar recolhido no seu centro e agindo a partir dele. Eu estou falando de totalidade na ação. O mínimo movimento você faz de forma intencional e consciente.
Quando estiver sozinho, faça a mesma coisa. Continue cantando prabhu ap jago alternando com momentos de silencio, visualizando que o seu coração é uma fonte infinita de amor que irradia luz para todos os sentidos e direções.
Por um dia, eu peço que você abra mão da necessidade de querer receber. Por um dia, não se incomode pelo fato de não receber nada. Só por um dia experimente somente se doar. Não perca a oportunidade de dar um sorriso, mesmo que o outro não receba porque está fechado igual a um muro. Não se incomode por isso. Não se preocupe com a reação do outro. Simplesmente irradie o seu melhor. Faça essa experiência.
Amanhã nós conversamos sobre como foi.
O que eu estou propondo é que você acorde a fonte de bênçãos que existe em você. Emanar bênçãos. A benção é o desejo sincero que o outro seja feliz. Se o mantra prabhu ap jago não ressoa muito porque é uma língua diferente e você não consegue fazer associação com o significado, você pode fazer na sua língua. Outra forma de pedir para que o outro desperte é dizer “que todos os seres sejam felizes”. Seja feliz, esteja em paz. Não importa quem seja ou onde esteja. Se a sua percepção alcançou uma forma de vida diga “seja feliz, esteja em paz”.
Continue se observando e veja o que acontece. Porque eu posso afirmar que o remédio para essa Terra é o amor. Esse remédio está dentro de você. Nós temos que encontrar um jeito de extrair esse remédio de dentro. O remédio para o sofrimento nesse planeta é o amor. E o amor está dentro de você protegido debaixo de muitas capas. Nós precisamos acordar esse amor. Às vezes trabalhamos removendo as capas que é um aspecto do trabalho. E às vezes trabalhamos acordando diretamente essa semente. Vamos tentando vários caminhos. Em algum momento acontece. Em algum momento você experiência o amor e, inevitavelmente, a unidade.
Você também pode fazer na forma de oração, dialogando internamente: que todos os seres sejam felizes, que todos os seres sejam ditosos, que todos os seres estejam em paz. Tentando ser o mais verdadeiro possível. Talvez você encontre algumas barreiras. Talvez você se depare com o seu egoísmo, com a sua carência, com essa obstinada distorção que é querer somente receber ao invés de dar. Você vai lidando com isso, mas vá se movendo em direção ao centro da verdade, procurando dizer com a mais absoluta verdade. Se por algum motivo você não conseguir, pelo menos você se deparou com uma camada de egoísmo que pode ser trabalhada objetivamente. Você estará mais próximo da verdade.
Todo o sentimento de fraqueza e impotência é uma desconexão com essa fonte de amor. Quando você se conecta com essa fonte de amor, você resgata a sua força interior, você sente o seu poder, você acorda o guerreiro do coração, o guerreiro interno. Você é capaz de coisas inimagináveis. Todo o sentimento de fracasso e fraqueza é o amor guardado no cofre. É você separado do outro. É você separado de Deus. É você separado da sua fonte de amor. Ai reside a sua força. Conectado com essa fonte, não existe não. Porque o não?
Nós perdemos esse poder ao longo da existência e das encarnações à medida que fomos consolidando a identificação com esse eu separado. Daí nasce a carência absurda de querer receber do outro. Isso não tem fim. Ou você muda o foco ou você vai passar a sua encarnação inteiro com a boca aberta esperando por uma migalha de atenção. Essa carência não tem fim. A chave está em você mudar o foco da identificação. Se você está identificado com esse eu separado que eu chamo de criança ferida, você vai passar o resto da vida esmolando por atenção. E fazendo todo o tipo de guerra para o outro te amar. Neste caso, você está condenado a ir para o inferno porque esse é o inferno.
Para onde você quer se mover? Para o céu? Então tem que virar a chave da sua identificação e tentar se identificar com a sua fonte que é uma fonte infinita de amor. Que é inesgotável. É claro que, quando mais você dá, mais você recebe. Mas, isso é um fenômeno natural da lei. Mas, se você faz querendo receber em troca, não está sendo verdadeiro. A proposta é que você dê sem querer receber absolutamente nada em troca, nem um olharzinho. Nada mesmo. Somente até amanhã, depois você volta para o seu egoísmo de novo. (risos). Mas, até amanhã vamos tentar encontrar esse autêntico altruísmo.
Lembrando mais uma vez: totalidade na ação. Esteja presente em cada passo.
Até o nosso próximo encontro.
NAMASTÊ!
Texto retirado do site: http://www.prembaba.org/pt-br/satsang/satsang-020111

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