13 de mar de 2013

Satsang com Sri Prem Baba, 01.01.11 - Índia 2010/2011


Satsang, 01.01.11 - Índia 2010/2011
Temas: Presença / Libertação do Sofrimento
Pergunta: FALTA PRIMEIRA PARTE
É claro que essa possessão acontece quando a sua consciência adormece, quando você não está presente. Mas, é importante que você perceba que esse não é um fenômeno que se dá de uma vez, ele vai acontecendo. O sofrimento vai chegando aos poucos, assim como a consciência vai adormecendo também pouco a pouco. Eu digo isso porque essa fase onde o sofrimento começa a se anunciar, onde a consciência começa a adormecer, é onde você pode fazer algo a respeito.
O sofrimento sempre se anuncia. Ele sempre diz “eu estou chegando”, na forma de uma irritação, na forma de uma tristeza, na forma de uma confusão e de sentimentos que você não pode interpretar. Então, automaticamente, o crítico interno é acionado e você começa a se condenar, a se punir. Isso significa que a sua consciência está sendo tragada. Você vai sendo encantado pelo sofrimento. A consciência vai se fascinando até que chega o momento que ela fica completamente encantada e então adormece. Nesse momento, o sofrimento te pegou e você já se esqueceu de si mesmo.
Nesse momento em que o sofrimento está se anunciando e isso acontece com coisas muito simples do dia a dia (como uma irritação porque a comida não chegou na hora que você estava esperando), você tem duas opções, ou você ignora por completo essa manifestação do sofredor – porque você já o reconhece e já sabe do que se trata – então você tem essa firme disposição de não mais alimentar esse sofredor com a sua atenção e se coloca presente, não dando atenção para esse mosquito que passou. Ele apareceu, você deixa ele passar porque você já sabe que é um pernilongo. Não dá atenção e simplesmente continua firme no seu caminho completamente presente. Ele vai, obviamente, conversar com você. O pernilongo que faz aquele zumbidinho irritante, que são pensamentos que você já conhece, como, por exemplo, se o padrão é de insuficiência o zumbido vai ser “eu não valho nada, eu não sou importante, estou vendo que há pessoas mais importantes do que eu, ele olha para o outro e não olha para mim.” Mas, se você já identificou esse eu psicológico e já conhece as suas estratégias para sugar a sua vitalidade, a sua energia, nesse caso, o caminho é não dar nenhuma atenção para ele. Não dê atenção para o pernilongo, apenas deixe ele passar. Ele também quer viver. Mas, você não se incomoda mais com as vozes. Você reconhece como sendo vozes oriundas do eu inferior e não dá mais atenção a elas. Então a sua presença vai crescer. Esse é um caminho, uma possibilidade.
Outra possibilidade é quando você ainda não conhece suficientemente esse eu. Então, olhe para ele. Olhe de frente. Reúna a consciência disponível para olhar para esse sentimento que está se manifestando e sinta-o totalmente, mas esteja ali sentindo; esteja presente sentindo. Esteja ali para conhecer esse eu psicológico. Se você se coloca presente já existe um distanciamento entre você e esse sentimento negativo. Ele já começa a enfraquecer. Evite apenas dar passagem para ele de forma inconsciente porque essa forma de sofrimento não pode te ajudar na sua jornada. É um sofrimento completamente desnecessário. Se você está atento para essa questão, qualquer situação da vida se torna uma prática espiritual. Qualquer situação é uma oportunidade para que você acorde, para que esteja presente e para que estabeleça a equanimidade na sua mente. Absolutamente qualquer coisa funciona como  despertadores. Se alguma coisa te irrita procure transformar o significado, compreenda que essa coisa está dizendo “acorde, acorde, acorde”. Todo o universo está ao seu favor; está conspirando para que você acorde e esteja presente para que sua mente se torne equânime. O que você deve tentar evitar é o jogo da mente que é ficar condenando-se, criticando-se. Você ou alguém dentro de você. Isso é um veneno e esse é o veneno que rouba a sua energia.
Então, você tem duas opções: ou você deixa a mente de lado e não liga para aquilo que ela está trazendo; não liga para essa onda de sofrimento que ela está te trazendo, não dando nenhuma atenção e simplesmente continua o seu caminho completamente presente. Porque você já sabe que essas vozes são vozes do eu sofredor que estão tentando roubar a sua energia porque essa entidade que é o eu sofredor é um complexo autônomo. Ela vive do sofrimento que ela gera. Ela precisa gerar sofrimento para continuar viva. Se ela não gera sofrimento, ela começa a desaparecer, mas ela quer continuar vivendo. Como ela está alojada na sua psique por muito tempo e conhece todo o seu repertório, é muito fácil para ela provocar sofrimento. Ela já sabe o que faz você sofrer. Ela já fala as frases certas, cria as situações certas. Faz você enxergar aquilo que ela quer que você enxergue, aquilo que vai gerar aquele drama emocional que são obviamente os nutrientes desse eu sofredor. Quanto maior o drama, maior é o banquete do eu sofredor. Quanto mais você tem dó de si mesmo, você está dando até sobremesa para o sofredor, você está dando chantilly para o sofredor (risos). É assim que acontece. Ao mesmo tempo, não é tão simples romper com esse eu sofredor. Requer muita determinação. Requer que você utilize toda a vontade disponível para estabelecer um compromisso com a alegria e não mais dar alimento para o sofredor. E também aceitar que antes que você possa romper definitivamente com ele, você vai cair muitas outras vezes. Você ainda vai ser encantado muitas vezes por ele. Eu percebo que muitas vezes você se culpa por ter caído. Ai já é ele novamente entrando pela porta dos fundos. Tudo isso é um jogo da mente. Não importa se ele chega através do orgulho, da ira ou do medo. Não importa qual é a matriz do eu inferior por onde ele entra. Quando você percebe que é ele que está chegando, simplesmente mude o seu foco. Mas, se por acaso você realmente ainda não consegue parar de alimentá-lo, olhe para ele. Sinta o que ele está trazendo, mas esteja ali para poder enxergar. Esteja presente para sentir. Se você está atento para essas duas possibilidades, eu sinto que de fato você começa a transformar o sofrimento. O sofrimento é um produto da mente. Ele só se manifesta quando você não está presente. Sempre que a consciência adormece, ele atua.
É necessário que você possa renunciar esse jogo da mente. Se você quer parar de sofrer, você tem que estar disposto a abandonar o jogo da mente. Tem que estar disposto a abandonar a compulsão de pensar. Quanto mais identificado com o sofrimento, mais você acredita que é importante pensar. Mas, esse pensamento compulsivo é uma doença. Essa doença somente é curada quando você percebe. Quando sua percepção amplia o suficiente a ponto de você compreender que esse pensamento compulsivo é uma doença. Ai você interrompe.
Você acorda pela manhã e está ainda processando os sonhos. As vezes são sonhos bons, as vezes são ruins. Se os sonhos são bons você é influenciado positivamente e aquilo te traz entusiasmo para o dia; se os sonhos são ruins, você fica influenciado pela energia negativa e tem um dia difícil porque fica com os resíduos do sonho na sua mente. Esses resíduos funcionam como fermento para os pensamentos. Não importa se os sonhos foram bons ou ruins. Se você pode obter alguma informação desse sonho, um sinal, isso é o suficiente. Largue o sonho. Lave o seu rosto e solta, larga. A mesma coisa com os pensamentos que estão sendo processados no seu dia a dia. Você encontrou uma pessoa e ela acionou o seu sofredor então veio uma irritação, vieram os pensamentos de inferioridade, superioridade ou disputa, etc... Simplesmente deixa ir. Compreenda, são vozes do eu inferior querendo roubar a sua energia. Esse é o seu sadhana, a sua pratica espiritual. Tudo que acontece no seu dia, são instrumentos da sua pratica espiritual, são despertadores que estão te ajudando a acordar. Se por algum motivo você foi tragado e se encantou, ok, entre no sentimento. Mas, esteja ali, esteja presente.
A consciência é o caminho. A presença é a chave. Sofrer por sofrer não vai trazer nenhum benefício para a sua alma. Você estará apenas alimentando o eu sofredor.
A presença significa o fim dos dramas. O drama é um produto da mente. Tem coisas que realmente machucam e doem. Isso é autentico. Mas, eu me refiro a uma história que você cria a respeito daquilo que te machucou. Você cria uma história onde você é uma vítima. Cada história é uma história. Dependendo do seu talento para escrever novela, a coisa vai longe. A partir da vítima você pode criar um vingador. Você é um bom escritor, você pode ir longe e pode ficar nessa história criada pela mente por muito tempo. É isso que eu chamo de consciência adormecida, de sonho.
O que é real e o que é uma imaginação, uma fantasia criada pela mente?
Por isso que eu digo que a iluminação começa quando a imaginação cessa. Eu me refiro a essa imaginação. Essa história que você conta sobre si mesmo e com a qual você fica completamente encantado. Não tem nada haver com a realidade, com você, tem haver com a história que você criou com aquilo que você acredita ser você. É isso que eu chamo de sofrimento desnecessário. Isso precisa ser interrompido.
Por isso eu pergunto: Onde você está? Você está aqui ou está no seu mundo imaginário? Está aqui ou está passeando no tempo? Está no passado, no futuro? Onde você está? O que você está fazendo na sua história interna? Está se defendendo? Atacando? Se protegendo? O que você está fazendo? Quem habita esse corpo? Você está aqui ou é um eu psicológico que está atuando através de você? Ou é um sofredor interno contando uma história? Ou é algum eu, uma matriz do eu inferior, que está agindo através de você? Pergunte-se. Quem sou eu? Onde estou? O que estou fazendo? Quem habita esse corpo?
Assim, pouco a pouco, comece a ocupar o seu corpo. Esteja aqui, agora, completamente presente. Aqui, agora não há espaço para o sofrimento. Não é possível. Porque o sofrimento, para se manifestar, precisa do tempo. Ele precisa do passado ou do futuro porque é somente assim que ele consegue contar uma história. Aqui, agora não tem história, só tem presença, luz e amor.
Vamos nos mover no dia a dia com essa presença. Vamos ampliar a lembrança de si mesmo. E sempre que o sofrimento quiser chegar não se oponha a ele. Se você se opõe ele cresce; ele já te pegou. Eu estou lhe dizendo, ou você simplesmente não dá atenção ou você acolhe e fica presente. Mas, não conte uma história sobre ele, não crie uma história sobre o que está acontecendo esteja atento para os diálogos internos, evite-os. Se você se percebe atacando, defendendo, você já está sonhando. Traga a consciência para o momento presente. Nessa hora, tome uma água fria, tome um banho, lave o rosto, e diga para si mesmo: “acorde!”
Eu respondi a sua pergunta?
A graça está sendo derramada sobre você, a questão é que a sua mente condicionada não percebe. Então eu estou lhe mostrando um caminho para que você possa perceber a graça que está sendo derramada. Então quando você pode realmente estabelecer essa conexão, você entra nesse estado abençoado, onde não é necessário nenhum esforço. Você é tomado pela graça. Isso acontece constantemente. De vez em quando alguém é tomado pela graça. Porque você está aqui cantando para Deus, está concentrado no cântico, ou esta podendo estabelecer uma conexão com o meu coração e de repente você sente a conexão com a divindade. Naturalmente a mente se aquieta, o coração se abre e você entra em êxtase. Isso acontece de uma forma que o ego não controla, a mente não controla, você não sabe como acontece. Simplesmente acontece. E você quer voltar lá, mas não sabe como. Porque acontece, a graça de pega no momento em que o ego sai do controle.
O que estou ensinando é uma maneira de facilitar o acesso da graça. Eu estou te mostrando um jeito que está ao seu alcance. É como preparar o caminho. Você está preparando o campo para a graça poder aterrissar.
Não estou apenas te ensinando um caminho para a aterrissagem da graça, mas sim para sustentar a graça. Você vem aqui recebe o darshan e entra em êxtase. Você vira a esquina, alguém olha feio para e então você abre as portas para o sofredor novamente. Eu estou te dando instrumentos para você lidar com isso no seu dia a dia de forma a sustentar a graça.
Que a presença possa iluminar o seu caminho.
NAMASTÊ!



Texto Retirado do site: http://www.prembaba.org/pt-br/satsang/satsang-010111